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VMB
consagra Pitty, CPM 22 e Autoramas
SÃO PAULO - Em quatro horas de produção, a MTV Brasil fez, na
noite desta quinta-feira, sua melhor premiação. O Vídeo Music
Brasil não foi de um nome só - embora absolutamente rendida ao
rock - e, valorizada por um roteiro esperto para um programa
interminável, consagrou Pitty, CPM 22 e Autoramas.
Escolhida o "Ídolo MTV" e "Vocalista da Banda dos
Sonhos", a roqueira baiana Pitty levou duas das três novas
categorias desta edição. Os Autoramas, banda da cena alternativa
carioca, recebeu o maior número de prêmuios na noite, dois deles
em categorias técnicas pelo excelente filme de "Você
sabe", que também laçou um cetro (o prêmio deste ano) de
melhor clipe independente. O CPM 22 levou o "Melhor clipe de
rock" e a escolha da audiência para clipe do ano.
Numa cerimônia absolutamente informal, com o ator Selton Mello à
frente pela segunda vez, não faltaram a tradicional ironia da MTV,
que terminou o programa propondo uma CPI do VMB; duplas inusitadas
na entrega dos cetros, como Zeca Pagodinho e João Gordo; e muito
humor, com sósias de figuraças como Zacarias, Ozzy Osbourne, O Máscara
e, Tim Maia e o Incrível Hulk espalhados pelos camarins, filmados a
cada saída para os comerciais.
E rolou, evidentemente, muita, mas muita música. Aliás, cabe
observar que depois de um longo - mas não exatamente tenebroso -
inverno, a MTV ampliou a música em sua programação. A noite foi
aberta pelo Rappa com a cansativa "Na frente do reto".
Derick, do Sepultura, e Samuel Rosa, do Skunk, entregaram, em
seguida, o "Melhor clipe de MPB", para Marcelo D2, pelo
filme de "Maldição do samba". Bola no ar, o
rapper-sambista abriu os trabalhos no quesito "frases
sensacionais", o melhor da noite:
- Eu odeio MPB - disse ele, meio espantado. - Não sei o que tô
fazendo aqui. Música popular pra mim é o samba.
E D2, que saiu de fininho com seu cetro. Os gaúchos do Cachorro
Grande atacaram de "Você não sabe o que perdeu", com a
transmissão retrô, em preto e branco, um dos muitos - ótimos -
recursos que a emissora usou ao longo da noite. na seqÜência, o
clipe de "Irreversível", do CPM 22, pintou como o melhor
de rock do ano. Nando Reis fez o terceiro número da noite, que
tinha, entre outras personalidades, Malu Mader na platéia, em sua
primeira aparição pública após a delicada cirurgia que fez. Tudo
lindo com ela.
Helião e Negra Li levaram o prêmio de melhor clipe de Rap. Gabriel
O Pensador, o de Pop. A carioca Leela foi a revelação. A cantora
da banda, Bianca Jhordão, subiu ao palco em seguida para fazer os
vocais de apoio para o Ultraje, uma das muitas atrações
oitentistas da jornada.Os Paralamas mostraram uma das faixas de seu
novo disco e, depois, se juntaram a Dado-Villa Lobos e Dinho Ouro
Preto para lembrar os tempos da Turma da Colina, de Brasília, e
levar "Conexão Amazônica", de Renato Russo. Edgar
Scandurra, do Ira!, ganhou seus primeiros prêmios VMB na carreira,
e, escolhido melhor guitarrista, conduziu uma garotada roqueira, com
Pitty nos vocais, num clássico dos Ramones.
Foi a Banda dos Sonhos. Também subiram ao palco os Titãs, que
encerraram a festa com "Vossa Senhoria", um ataque
virulento às maracutaias das seculares práticas políticas
brasileiras.
A canção criou o link para a entrada do apresentador Cazé,
terminada a premiação, ir buscar um culpado pelas muitas coisas
inexplicadas na noite. A começar pela indicação de três clipes
produzidos pela própria emissora na categoria "Performance ao
vivo". A brincadeira rendeu e deixou bem claro que, na premiação,
a única coisa sem explicação - e sem xenofobia - é a existência
da categoria "Melhor Clipe Internacional". No meio daquela
piração brazuca, criativa (com destaque para Marcos Mion imitando
o dublador Pablo, do Sylvio Santos), cheia de personalidade, ficou
sem sentido premiar "Systema of a Down". Decreptude
precoce na emissora de 15 anos de idade.
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